Passando pelo caminho tão conhecido, suspirava...ahhhh...era desejada. Coitada, nunca percebera antes como seu rosto tão singular encantava. Talvez tenha se entregado tanto a aquele amor amargo por pensar que nada lhe restasse e para garantir-se...Mas agora ela sabia, era admirada...Tão inocente a mocinha nem percebera quanto calor provocava. Somente ela sabia quanto fora difícil enfim aceitar-se. Sorrindo sozinha seguia.
Era feia aquela pequena, tão feia que doía. Só queria que a vida acabasse num instante para findar seu suplício, mas nesse dia ela sorria. Nem pensava mais como seria atirar-se do vão da escada, na verdade sempre tivera medo de vãos de escada. Tinha medo porque tinha vontade quase incontrolável de pular. Nunca coragem...é, era isso o que era: uma covarde. Levava sua vidinha mais ou menos por medo de arriscar. Uma vida morna talvez seja pior que uma vida triste. Era incompleta, vivia na ansia do que poderia lhe acontecer de diferente...e sempre...nada lhe acontecia.
Hoje, no entanto, acordou diferente. Vomitou sua velha vida na privada e deu longas descargas, para garantir que nenhum respingo restasse...Ajeitou os cabelos revoltos com as mãos, escovou os dentes e saiu...Na rua o vento a envolvia e a levava, tão leve estava ela. Sorriu para todos e todos lhe sorriram...
Estava louca e feliz...se encontrara no momento em que se perdera...
Publicado em 04 de janeiro de 2008 às 13:22 por gi cretina